terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

No meu sotão mora um tesouro


É insignificante e pequeno por fora
É enorme e principesco por dentro

Para lá entrar tenho de me esgueirar
lá dentro encontro um mundo de pasmar

É aveludado vermelho, branco e puro
É pesado de quente, leve de doçura
É velho de antigo, é novo de simplicidade
É amarelo infantil, escarlate glamour

Tem cadeirões gigantes e malas velhas escondidas
Tem tapetes de Sultão, lamparinas de Aladino
Tem uma cama branca com Dossel de rainha
com tecidos brancos esvoaçantes transparentes

Tem baús mal fechados cheios de fantasias
Tem caixinhas de música com dançarinas
Tem locomotivas vermelhas antigas, vagões
linhas férreas a atravessar montanhas e nevões

Tem um salão de baile, um candelabro imponente
Tem orquestra... Johann Strauss, tanta gente...
Tem paredes com fissuras, tortas, com nichos
onde para muitas vezes me esgueiro e desapareço

Tem mesas quadradas cheias de coloridos doces
Tem edredons patchwork, almofadas e adereços
Tapetes brancos fofos quentes, flütes e morangos
Lareiras a cripitar Marshmallows onde me aqueço

Tem partidas, confetis, estalinhos e serpentinas
Tem bonecas com vestidos brancos, pernas partidas
Tem escrevaninhas com compartimentos secretos
cartas velhas, lembranças e fotografias esquecidas

Tem até um ring de patinagem no gelo
onde faço loops, Axels e até triple lutz!

No meu sotão imaginário tenho entrado pouco
Passo por ele, chega a parecer-me assustador
Mas de cada vez que lá entro acho-o acolhedor
Encantador!


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